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A busca não acabou: ela agora passa também pela IA

O consumidor continua usando buscadores, mas também consulta plataformas de inteligência artificial e comunidades. Para as marcas, estar presente exige acompanhar essa jornada mais fragmentada.

A busca não acabou: ela agora passa também pela IA

Durante muito tempo, pesquisar parecia simples: abrir o Google, digitar algumas palavras e clicar em um dos primeiros resultados. Hoje, a busca com inteligência artificial se mistura a outras etapas. A pessoa pode começar no buscador, pedir uma recomendação a uma IA e, em seguida, procurar relatos de quem já usou o produto.

Isso não significa que o Google deixou de importar. Na prática, a busca se distribuiu entre buscadores, comunidades e plataformas de IA. Um levantamento da Gauge, Ecglobal e W3haus indica que sete em cada dez consumidores já usam ferramentas de inteligência artificial em algum momento da jornada de compra. Entre os usos citados estão comparar preços e funcionalidades, buscar recomendações personalizadas e tirar dúvidas sobre produtos.

Assim, o caminho de decisão deixou de ser uma linha reta. Além disso, a mesma pessoa pode alternar entre canais conforme a dúvida que precisa resolver. Para as marcas, entender essa mudança é mais útil do que tentar encaixar toda a jornada em um único mapa.

A resposta pode chegar antes do clique

Outro ponto importante é que nem toda pesquisa termina com uma visita a um site. Painéis de resposta, snippets e recursos de IA podem apresentar informações diretamente na página de resultados. Esse comportamento é conhecido como zero-clique.

Por isso, medir a presença de uma marca apenas pelo tráfego recebido pode deixar parte da história de fora. Também vale observar quais fontes ajudam a compor as respostas que as pessoas encontram e se a marca oferece informações claras, úteis e confiáveis.

Sites de marcas e páginas oficiais continuam tendo um papel importante. Afinal, são espaços para explicar produtos, esclarecer dúvidas e organizar informações. Ao mesmo tempo, eles não são as únicas fontes que podem aparecer nesse ecossistema. Portais de notícia, Wikipédia, fóruns e comunidades também participam da construção de respostas em buscadores e sistemas de IA.

Comunidades acrescentam experiência à busca

A fadiga de conteúdo ajuda a explicar por que tantas pessoas procuram relatos de outras pessoas. Quando toda página parece repetir a mesma apresentação institucional, experiências reais podem acrescentar contexto: prós, contras, comparações e detalhes de uso.

Isso não quer dizer que toda opinião publicada em uma comunidade seja imparcial ou correta. Ainda assim, conversas entre usuários podem revelar dúvidas e critérios de decisão que uma página de produto, sozinha, talvez não mostre.

O Reddit ilustra esse movimento. Segundo os dados reunidos no material de referência, mais de 70 milhões de pessoas pesquisam na plataforma toda semana. Além disso, “+ Reddit” se tornou um complemento usado por pessoas que procuram discussões e relatos. O material também cita a Peec AI como fonte para a afirmação de que o Reddit é o domínio mais mencionado em respostas de IA.

Em 2024, Google e Reddit firmaram um acordo de licenciamento de conteúdo. A OpenAI também anunciou uma parceria com a plataforma. Esses acordos mostram o interesse nas conversas publicadas no Reddit, embora não signifiquem que todo conteúdo da plataforma seja usado por todos os sistemas de IA.

Conteúdo útil ajuda a marca a fazer parte da conversa

Diante disso, a resposta não é publicar em qualquer fórum nem transformar comunidades em mais um canal de anúncios. Uma comunidade é um espaço de conversa, não um megafone com avatar. Portanto, uma participação útil precisa respeitar o contexto, as regras e as dúvidas das pessoas.

Ao mesmo tempo, conteúdo próprio continua sendo essencial. Um site bem organizado pode explicar o que a marca oferece e responder a perguntas importantes. Já a presença em mídia e a participação responsável em comunidades ajudam a ampliar o contexto em que essas informações circulam.

É aí que o GEO, ou otimização para mecanismos generativos, ganha espaço na estratégia. Em vez de buscar um truque para aparecer em respostas de IA, a marca pode trabalhar para produzir conteúdo claro, consistente e fácil de compreender. Assim, contribui para que suas informações sejam encontradas e consideradas em diferentes pontos da jornada.

A busca não desapareceu; ela ganhou novos caminhos. Por isso, além de perguntar “em que posição estamos no Google?”, vale perguntar: quando alguém buscar uma recomendação, comparar alternativas ou procurar uma experiência real, nossa marca fará parte da conversa?